![]() ![]() ![]() ![]() |
|
|
| 05/02/2012 - 10h21 | Comunicar Erro |
Espalhe aos amigos |
http://jornalcidade.net/87146
Visualização: 353 |
Antônio Carlos Sarti fala sobre a Floresta Estadual no Café JC![]() Antônio Carlos Sarti: “É muito ruim que a discussão da revisão do Plano Diretor tenha sido feita nesse afogadilho. Era preciso ter iniciado esse debate muito antes” Marcelo Lapola Em março de 2010, depois de ter sido informado que, por uma ação da prefeitura, pretendiam cortar algumas árvores, incluindo uma paineira enorme plantada ao redor do Mercado Municipal, o professor e pesquisador Antônio Carlos Sarti não teve dúvida. Correu para lá e, num gesto de ousadia e coragem, abraçou a imensa árvore e ficou entre ela e a motosserra e machados, na tentativa de impedir o corte. E conseguiu. A atitude corajosa de Sarti levou o Ministério Público a abrir um inquérito civil para apurar o corte indiscriminado de árvores em Rio Claro, cessando em parte uma prática nefasta e, no mínimo, antipedagógica. Rio-clarense, bacharel em Turismo e Lazer e doutorado em Geografia pela Unesp, Sarti atualmente é professor da USP unidade leste, em São Paulo, no curso de lazer e turismo. Especialista em questões como a ocupação do solo urbano, equilíbrio entre a cidade e a natureza, Sarti foi recebido no Café JC pelos jornalistas Marcelo Lapola, Carla Hummel e Ana Ligia Noale. Entre os temas, a revisão apressada do Plano Diretor que a prefeitura vem fazendo, a necessidade de um planejamento para a ocupação futura da cidade e a importância da Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade. JORNAL CIDADE - Estudioso da ocupação do território urbano e de políticas públicas para Rio Claro neste setor, como tem acompanhado as discussões sobre a revisão do Plano Diretor? ANTÔNIO C. SARTI - Estamos trabalhando com um sistema aberto, sendo modificado constantemente. Mas infelizmente está numa situação de afogadilho. A essência do Plano Diretor, numa cidade ainda menor, ainda estamos num estágio em que é possível aprender com o erro dos outros. Muitas vezes aprende-se no erro. Teríamos a ganhar com isso, vendo o exemplo das cidades maiores. A maneira como a questão emergiu, em final de governo, com audiências em cima da hora, não dão capilaridade maior na sociedade. JC - Fica comprometido? De repente, pode ocorrer algum fato que paralise tudo por uma determinação judicial. Se vem num ritmo de normalidade, com etapas e prazos, essa margem de risco de ocorrer alguma obstacularização abrupta é muito menor. Estamos numa cidade que deverá atingir os 200 mil habitantes. Isso indica que muita coisa está se alterando no tecido social. JC - Qual sua visão das Operações Urbanas Consorciadas? Tenho muito receio quando dizem que é oportunidade da corrupção. Dizem também que Rio Claro ficará nas mãos de empresas de fora. Isso é xenofobia! Estamos na globalização, puxa vida. O sistema é esse, a cidade está inserida num contexto regional, em que os investimentos circulam livremente. Jogar assim, no ar, que as Operações Urbanas Consorciadas são inadequadas é errado. Mostra um posicionamento atrasado, que não contribui em nada para o debate. Mas também não se pode achar que tudo vá funcionar às mil maravilhas. JC - Há muitos interesses em jogo? Essas críticas ferrenhas e meio sem fundamento ocorrem porque a medida mexe com as áreas mais importantes da cidade. Essas áreas acabaram se constituindo como uma grande reserva de valor de mercado. O Aeroclube, por exemplo, e onde está a ferrovia. Cumpriam uma função e hoje passam a ocupar outra função. Cicatrizes urbanas que perderam a função urbana original. Viraram um problema urbanístico. Sem contar que são áreas de realimentação dos freáticos. JC - E num lugar em que a cidade foi planejada? Área da ferrovia e Aeroclube foram ocupadas em quadrículas e onde os quintais se encontravam. Ali as pessoas plantavam árvores, eram áreas permeáveis. As chuvas tinham espaço para infiltração. Por isso nossa drenagem foi muito superficial, com valetas. Não precisava haver as canalizações de drenagem nas vias porque a água infiltrava nesses quintais. JC - Agora corremos atrás das obras de drenagem. Brincamos de enxugar gelo. Quando essa área é impermeabilizada, a água das chuvas vai para a via pública e cai nas calhas dos rios. Claro que é fundamental uma obra para alargar esse perfil para ganhar mais vazão, como no Inocoop, por exemplo. Mas aí a ocupação aumenta, e o problema volta com mais força. JC - Por que não é dado o devido valor à Floresta Estadual Navarro de Andrade? O que fizemos com o passar do tempo foi tratar a floresta como algo separado da cidade. Ao longo da história, o horto foi sendo tratado como algo que não tinha ligação com o cotidiano. Quando havia muitas atividades, pessoas que trabalhavam lá, tinha o cinema, a igreja e nem era aberto à visitação, ele era mais integrado à vida da cidade. A coisa foi mudando a partir da Fepasa, quando houve mudança na política de administração e a cidade passou a utilizar como lazer, olhando apenas a parte central do horto. JC - Há um destino possível para a floresta que possa fazer melhorar esse convívio? Precisamos fazer a floresta transbordar para a cidade. O horto nasceu ligado à tecnologia de ponta da época. A ferrovia era o que o Brasil estava absorvendo de tecnologia herdada dos ingleses. Com o passar dos anos, e o Brasil deixa a ferrovia de lado, começa-se a entrar num processo de desmonte. Se a ferrovia tivesse sido mantida com a mesma importância, a floresta estaria na linha de ponta de pesquisa de bioenergia de biocombustíveis, de transformar celulose em combustível, por exemplo. Mas aconteceu que parou no tempo. A saída é tentar encontrar outra alternativa tecnológica. JC - Problemas que temos com a Feena decorrem das ocupações inadequadas nas suas divisas? Sem dúvida. A ocupação do solo no entorno da floresta deve levar em conta dois fatores concomitantes: a baixa densidade populacional e baixo índice de ocupação. Dessa maneira, soluções do tipo institucional, como o novo Fórum e condomínios fechados, são bons vizinhos porque reduzem drasticamente os impactos, definem claramente as divisas e mantêm vigilância. Nas áreas onde o inverso acontece, como no São Miguel, Vila Industrial, Pé no Chão, Vila Paulista, Conduta, o que deve ser adaptado é o Plano de Manejo da Floresta de forma a estabelecer um diálogo com população e definir ações de manejo em que ela esteja inserida. JC - O antigo horto caminha para se tornar um parque urbano? Imagino que, num intervalo de trinta anos, o horto deverá estar “encapsulado” por Rio Claro, Santa Gertrudes, Cordeirópolis e Araras, tomando os limites a leste. Ao norte já temos ocupação com chácaras, na antiga propriedade de Anésio Marques, numa das divisas ainda preservadas. Assim, a função de parque com finalidades urbanas será exacerbada, o perímetro urbano englobará a floresta, haverá vias de circulação cortando diametralmente e tudo o que imaginamos e sabemos hoje terá ido para a lata de lixo. + compartilhe
+ gostou? comente esta notícia
Sem comentários, seja o primeiro + matérias relacionadas 23/10/11 - Domingo
Jornalistas discutem exigência ou não do diploma |
+ as mais lidas da categoria + as mais comentadas 17/04/2012 ALERTA: novo golpe aplicado na praça promete resgate milionário de pecúlio da antiga Capemi Todas as notícias mais comentadas + este mês |
||
|
|
|
|
||||||||||||||||||
Desenvolvido por Rodrigo Montezzo e Renato Hoffmann |
Avenida 05, 283 - Centro - Rio Claro/SP - 13500-380 (19) 3526-1000 |
||||||||||||||||||||