Defesa de Cassavia entra com pedido de liberdade

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Sidney Navas

Constantino Sergio de Paula Rodrigues, contratado para defender Thiago Cunha Cassavia, acusado pela morte do advogado Jaime Marangoni, no último dia 22, já entrou na justiça com o pedido de liberdade provisória em favor de seu cliente. O advogado de defesa protocolou o pedido junto à Vara de Execução Criminal de Rio Claro na última quarta-feira.
Confiante que seu pedido será deferido pelo poder judiciário, Constantino aponta ainda que existem diversas irregularidades no inquérito policial concluído pelas autoridades. "Meu cliente tem no mínimo 10 testemunhas que, inclusive, já foram ouvidas e confirmaram que Thiago estava com amigos na noite do crime". Ainda segundo suas informações, Thiago já provou que estava ao lado de amigos das 19h30 até a zero hora do dia 22, quando Marangoni foi morto com um tiro no rosto. No Boletim de Ocorrência elaborado pelas autoridades, consta a informação de que o advogado foi executado por volta das 21h50.
Constantino destaca também o que ele classifica como uma série de irregularidades praticadas por policiais civis durante as diligências que terminaram com a prisão de Thiago Cassavia. "Os policiais, sem qualquer mandado de busca ou outro tipo de respaldo jurídico, invadiram a casa da mãe do meu cliente no Jardim Novo I. Como o Thiago não estava lá, eles foram então até a casa de sua avó, localizada no Jardim Claret. O imóvel foi invadido e meu cliente então foi preso no quarto da casa", observa Constantino, na defesa do cliente.
Nessa residência, segundo as próprias autoridades, foram apreendidas duas armas, sendo que uma delas teria sido utilizada na execução do advogado. "Aí aponto outro grande equívoco. O próprio Instituto de Criminalística, em perícia, constatou que o projétil que matou Jaime Marangoni saiu de um revólver calibre 38. As armas apreendidas na casa da avó de Thiago são de calibre diferentes. Uma possui calibre 32 e a outra 44", observa. Constantino comenta que ainda não teve acesso ao resultado oficial do exame residuográfico, que é aquele que justamente poderia apontar resíduos de pólvora na mão de Thiago. "Mas já fui informado que o resultado desse exame é negativo, ou seja, não havia nenhum resíduo de pólvora nas mãos do meu cliente".
Em relação ao reconhecimento que teria sido feito pelo filho da vítima logo após a prisão do estudante, o advogado de defesa comenta que esse procedimento ocorreu de forma no mínimo contraditória. "Depoimentos colhidos pelas autoridades apresentam diversas irregularidades. Em um deles, por exemplo, um dos depoentes alertou a polícia a respeito da falta de confiança do filho da vítima, no que diz respeito ao reconhecimento, devido a seu estado emocional. Outro fato interessante é que a tia do meu cliente, apontada como coautora do assassinato, não foi reconhecida como sendo a mesma mulher que entrou na casa de Marangoni com o assassino na noite do crime", pontua o criminalista.
Outra suposta falha da polícia apontada por ele diz respeito ao depoimento de um vizinho de Marangoni. Esse vizinho, segundo o advogado, teria dito as autoridades que dias antes do assassinato um casal foi visto rondando a casa de Marangoni e nem Thiago, nem sua tia, haviam sido reconhecidos por ele como essas pessoas. "As características do casal em nenhum momento coincidem com a fisionomia e porte físico do meu cliente e de sua tia, e a polícia sabe disso", alega o defensor. Constantino observa que não existe nenhuma relação entre a morte do advogado e o inventário da família de Thiago, cujo processo Marangoni deveria cuidar. "Isso é um grande absurdo. Pela lei Thiago não é o beneficiário dessa partilha de bens. Ele é neto e não filho do falecido", finaliza.
 

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