Política
O presidente do Diretório Estadual do PMDB de São Paulo, Orestes Quércia, disse na quinta-feira que o partido estará unido com o governador José Serra (PSDB) na disputa pela presidência da República nas eleições de 2010.
"Estaremos juntos com o governador José Serra na disputa pela Presidência", disse Quércia após encontro com Serra e 63 prefeitos paulistas do PMDB no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
A declaração de Quércia contraria a decisão do comando nacional do PMDB, que fechou um pré-acordo com o PT para apoiar a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à presidência da República. Pela proposta, o PMDB ficará com a vaga de vice na chapa de Dilma.
Favorável à candidatura de Serra, Quércia criticou o pré-acordo. "Não se podem fazer alianças visando cargos, o que contraria a história e a ideologia do PMDB", disse.
O encontro com os prefeitos foi administrativo, mas Quércia admitiu que a reunião teve uma "dimensão política importante". "O encontro mostra a força da união do PMDB com o PSDB e o DEM, que traz grandes benefícios para São Paulo", disse.
Quércia não é o único no PMDB contrário à aliança PT-PMDB. Na quinta-feira, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) subiu à tribuna do Senado para classificar de "insana" a decisão da cúpula peemedebista de apoiar a candidatura de Dilma.
Jarbas disse que, se o PMDB não mudar de ideia em relação ao acordo nacional com o PT, haverá um "confronto político desnecessário" dentro do partido. "Não aceitarei, de forma alguma, que esse caciquismo lulista do PT seja implantado também dentro do PMDB. Existem hoje três tendências dentro do partido: os que defendem a aliança com o PSDB, os que querem se unir ao PT e os que defendem a candidatura própria. Ou essas diferenças são respeitadas, ou haverá um desnecessário confronto político dentro do Partido do Movimento Democrático Brasileiro", afirmou.
Serra não comentou as declarações de Quércia. Em recentes entrevistas, o governador paulista tem demonstrado irritação quando questionado sobre sua candidatura à Presidência. Na quinta-feira, por exemplo, ele admitiu que era impaciente para esperar em filas ou no trânsito, mas que em política tinha "nervos de aço" e que ainda era cedo para definir candidaturas.
Em seu blog, o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) afirma que o PT deve entrar em campo e fechar uma aliança com o PMDB do governador Roberto Requião no Paraná. o PT e o PMDB já fecharam um pré-acordo de apoio à pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência.
No entanto, o pré-acordo enfrenta resistências em alguns Estados - caso de São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina. Nesses Estados, lideranças do PMDB, como Orestes Quércia (SP), Jarbas Vasconcelos (PE) e Luiz Henrique (SC), defendem o apoio à pré-candidatura do governador José Serra (PSDB).
Na avaliação de Dirceu, o PMDB pró-Serra não está tão fechado com o tucano. "O único lugar onde o PMDB está firme com a candidatura presidencial do governador paulista José Serra (PSDB) é Pernambuco, já que lá domina o caciquismo jarbista. Assim, tanto o ex-governador paulista Orestes Quércia, quanto o governador Luiz Henrique (SC), ainda têm que resolver problemas em seus próprios Estados", diz ele no blog.
Dirceu afirma que "cabe ao PT e à nossa pré-candidata entrar em campo e disputar os apoios estaduais que dependem, também, das alianças e palanques com o PMDB". "A começar pelo Paraná, onde estamos pagando pelas declarações precipitadas pró-senador Osmar Dias (PDT-PR) de dirigentes e parlamentares, sem levar em consideração a liderança de Requião."
Ninho tucano - Numa conversa na noite de quarta-feira, os governadores de Minas, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, voltaram a divergir sobre os prazos do processo de escolha do candidato do PSDB à sucessão presidencial.
Aécio manteve a cobrança por uma decisão até o fim do ano e descartou a possibilidade de ser vice de Serra. Ele telefonou para Serra sob pretexto de discutir a produção do programa do partido, que vai ao ar no mês que vem.
Interlocutores do mineiro informaram que Aécio aproveitou para deixar claro que não tem a menor disposição de ser vice - cenário visto como ideal por aliados do governador de São Paulo. Em resposta, Serra teria alegado nunca ter defendido, publicamente, essa possibilidade.
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