De acordo com a educadora, que não quis se identificar, a Promoção Social não se responsabiliza pelo transporte dos estudantes até o Centro Cultural e isso só seria possível com a arrecadação de dinheiro por parte dos estudantes. Ela informou que alguns professores ainda ajudam as crianças fazendo rifas ou vendendo produtos.
“Mas quem compra?”, indagava a professora. “As próprias crianças que acabam pagando”, esbravejou. De acordo com a denunciante, que está revoltada com a cobrança que, segundo ela é ideia do secretário da Promoção Social Cássio Luciano dos Santos, essa prática é inadmissível e deveria ser proibida. Ela disse que vários núcleos que atendem essas crianças não poderão participar do evento por falta de dinheiro.
“As minhas crianças estão ensaiando e não vão poder ir”, se revolta. A professora acrescentou que algumas colegas estão fazendo artesanato, que são vendidos pelos alunos, para poderem pagar o transporte até o Centro Cultural. De posse dessas informações o JC entrou em contato com Sônia Sínico coordenadora pedagógica da Promoção Social e responsável pelo evento “Brincar, estudar e viver... trabalhar só quando crescer”.
Ela confirmou que o programa não tem condições financeiras de arcar com o custo do transporte. “Temos 68 salas de Aica e Peti”, informou, justificando o motivo pelo não pagamento do transporte. “Sempre foi assim, pelo nosso conhecimento. Só a sala dessa professora vai ficar de fora, no máximo mais uma professora deve não concordar (com a cobrança)”, prevê.
Sem Dinheiro
Por sua vez, o secretário da Promoção Social, Cássio Luciano dos Santos, disse que os professores são avisados com antecedência sobre os custos dos transportes. Para ele, o trabalho de arrecadação de dinheiro para pagar algumas viagens é uma contrapartida dos educadores. “A prefeitura já sustenta o Aica e Peti e isso (arrecadar dinheiro) é uma ajuda que os professores dão ao programa”, justificou.
“Infelizmente não temos condições de dar o que gostaríamos, não temos verba suficiente”, afirmou. Santos rebateu as acusações feitas pela educadora e disse que os pais dos alunos estão cientes, assim como os professores que, segundo o secretário, apoiam a iniciativa. “Nunca houve uma reclamação formal. Os professores entendem. São 1,2 mil alunos e algumas coisas precisam de colaboração”, defende. Ele considera os artesanatos e rifas como uma forma criativa de arrecadação de dinheiro.
Cássio lembra ainda que essa iniciativa de angariar fundos não é obrigatória e em relação ao fato de a professora afirmar que os alunos não participarão do evento por falta de transporte, ele é enfático: “ela (professora) acha mais fácil não fazer nada e espera que o programa cumpra tudo, mas não temos dinheiro”, reafirmou. Embora o secretário afirme que não existe verba para subsidiar o transporte dos alunos até o Centro Cultural de Mogi Guaçu, ele afirmou que em outros passeios, como viagens a São Paulo, as passagens são pagas com a verba municipal destinada ao programa.
A Assessoria de Comunicação da Prefeitura confirmou o pagamento e garantiu que a Promoção Social arca com os custos dos eventos e apenas o transporte fica sob responsabilidade dos professores, que são plenamente cientes da situação.
Por Felipe Forti Tonon
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