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UMA CONQUISTA MEMORÁVEL COMPLETA 30 ANOS

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UMA CONQUISTA MEMORÁVEL COMPLETA 30 ANOSDedicado a Álvaro Sebastião Pinto Lopes

Naquela manhã fria de domingo, embora ensolarada, Rio Claro amanheceu diferente. O fato era manchete dos jornais locais. A rádio mais antiga da cidade alterou o seu prefixo musical para homenagear o clube. Mas havia motivo para tanto. Seis meses depois, daquela inesquecível tarde de 17 de dezembro de 1978 quando mais de 15 mil pessoas se amontoaram no acanhado, porém aconchegante estádio Benitão, a justiça estava finalmente para ser feita. O Velo Clube faria em Campinas, no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, frente ao Paulista de Jundiaí, o jogo derradeiro da melhor de 4 pontos (naquele tempo, vitória valia 2 pontos, apenas). Havia vencido o primeiro jogo por 2 x 1 e empatado o segundo por 0 X 0. Estava, portanto, a um ponto da glória máxima, daquele que seria, até então, o maior feito do futebol rioclarense. Nunca o comércio local vendeu tantos tecidos nas cores vermelho e verde. Nunca a Estação Ferroviária e o terminal de ônibus intermunicipal, que ficava em frente aos Correios estiveram tão movimentados. Afinal, todos os caminhos levavam a Campinas. Também a rodovia Anhanguera, onde era possível ver o que seria uma interminável fila indiana de automóveis com enormes bandeiras vermelho e verde desfraldadas.

Por volta de meio-dia, o árbitro Emigdio Marques de Mesquita, ergueu os braços e apitou o final do jogo. Era o início do carnaval que faria uma paixão chamada Velo Clube transformar de vermelho e verde uma cidade conhecida como “Azul”.

 UM TIME, UMA TORCIDA

Para entender os fatos é preciso situá-los no tempo. Aquele era o período do regime militar. Embora disputado em 1979, o “rebolo”, como era conhecida a disputa que se dava entre o penúltimo colocado da Divisão Especial (A-1) com o vice-campeão da Divisão Intermediária (A-2), correspondia ao certame de 1978. Um ano antes, o Corinthians, considerado o time do povo, o povo oprimido, havia interrompido um jejum de 22 anos sem títulos do campeonato paulista. O Velo Clube, por sua vez, fora apontado, em 1973, como a quinta maior torcida do estado de São Paulo, numa enquête da Revista Placar e Jornal Diário da Noite.  Portanto, em Rio Claro, o Velo passou a ser visto como time do povo, o Corinthians local. Naquele mesmo ano de 1973, no Torneio dos Dez, realizado pela Federação Paulista de Futebol teria conseguido o acesso à Divisão Especial não fosse desastrosa arbitragem de Dulcídio Vanderlei Boschilla, na partida frente ao SAAD de São Caetano do Sul, que “operou” o Velo Clube em pleno estádio Benitão. O acesso parecia certo em 1977, quando o Rubro-Verde montou verdadeiro esquadrão, liderado pelo goleiro Ado, tri-campeão em 1970, no México, com a Seleção Brasileira. Mas Ado decepcionou a fanática torcida velista, falhando sucessivas vezes em jogos decisivos. A pressão da torcida e da imprensa (acusavam Ado de treinar pouco) exigiu a escalação de Renato para defender a meta do Velo. E no ano seguinte, o jovem goleiro seria um dos maiores nomes da memorável campanha. No hexagonal decisivo de 1978, o Velo disputou o acesso com a Internacional de Limeira do execrado treinador Airton Diogo e do “matador” Tião Marino; o São José do goleiro Marcio, o Ginásio Pinhalense do técnico Ilzo Neri; o Grêmio Catanduvense do avante Antonio Carlos que tanto trabalho deu à defensiva velista, e o renascido Corinthians de Presidente Prudente até então afundado em dívidas. Terminou o Velo como vice-campeão, graças à discutível decisão do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo que deu ganho de pontos para o Leão limeirense. Na partida disputada em Pinhal, a torcida do time de Limeira arrebentou o alambrado do estádio e invadiu o campo quando a Inter perdia por 2 x 0. Quê motivo teria a torcida de Pinhal para arrebentar o alambrado do seu próprio estádio quando o time da casa vencia por 2 x 0 talvez tenha sido a pergunta que o TJD da Federação Paulista se esquecera de fazer.   

Por isso, meses depois o Velo voltou a campo para confirmar o seu acesso à Divisão Especial, fato que completa neste mês de Junho 30 anos.

Da equipe vitoriosa de 1978 a ausência de cinco titulares para enfrentar o Paulista de Jundiaí, então integrante da Divisão Especial não foi problema. A torcida do povo vestida de vermelho e verde levou o time do povo nas costas.

Trinta anos depois, o que resta senão a história pra ser contada? A A.E. Velo Clube Rioclarense disputa a quarta divisão do futebol de São Paulo. Como? Difícil de explicar, e muito mais de entender, afinal, a equipe, além da queda em 1979, jamais fora rebaixada dentro das quatro linhas. O que sugere se não dá a certeza de que durante esses 30 anos, faltou ao Velo o que sobrou ao maior rival: a competência de seus dirigentes. Não bastasse isso por motivos inexplicáveis e jamais convincentes o Velo continua com seu estádio – que nada tem de pior ou menor que outros da série que disputa – interditado pelo Ministério Público.   Se há consolo, talvez esteja no fato de ser o único time da quarta divisão de São Paulo que consegue reunir em seus jogos cerca de 500 torcedores além de torcidas organizadas. Uma coroa, entretanto, é pouco para quem um dia já foi rei.

J. Costa Jr.

(O colaborador é escritor e cronista)

jcostajr2009@gmail.com

 www.passaaregua.blogspot.com

 

 


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SR. ROBIN HOOD

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Não sei o que dirão os outros e sinceramente não me interessa. Mas ele era meu amigo.

Fez parte da melhor fase de minha vida. Nós nos conhecíamos desde os 4 anos de idade, quando, quase simultaneamente nos mudamos com nossos familiares para a mesma rua, ou melhor avenida. Ele era um sujeito inteligente, mas tinha outras duas virtudes, por vezes mal compreendidas, a audácia e a ambição.

Descobria antes de nós todos, seus amigos, as coisas que logo se tornariam importantes, porque era sempre bem informado. Conversava em pé de igualdade com os adultos, e até de minha irmã conquistara simpatia, o que pode ser considerado um feito brilhante.

Eu frequentava a sua casa, a casa de seus pais, e ele a minha.

Aos finais de semana, íamos para a chácara de seus pais onde nadávamos, jogávamos baralho, assistíamos à televisão, e comíamos e bebíamos e nos divertíamos. Sempre passeávamos juntos, no parque de diversões, no circo, nas viagens à Piracicaba, quando seus pais iam fazer compras no extinto Jumbo Eletro. O pai dele era um ás do volante. Todo final de semana havia um passeio, e eu era sempre convidado.

De modo que ele, eu e seu irmão mais novo, formávamos um trio inseparável. Sempre me chamara a atenção o modo descolado como ele tratava seus avós paternos, Vó Coroca, Vô Arbino, enfim, eu não tinha essas intimidades com minha única avó que cheguei a conhecer.Depois que meu pai vendeu o sítio e a granja eu só fui cavalgar quando ele me convidou pra conhecer um sítio de um parente seu. Jogar futebol não era com ele, embora fosse esforçado, e só.

Mas fora ele, dentre tantos garotos frustrados desta cidade que conseguiu tirar uma foto ao lado do Dr. Sócrates, quando o Corinthians veio jogar com o Velo Clube, em 1979, pela Divisão Especial. Advinha, por sinal, quem teve a idéia de ir a Campinas, meses antes, e fazer bandeiras, e comprar camiseta pra torcer pelo Velão? E quem atirou para o alto um sorvete de massa que foi cair justamente em cima do prefeito da época quando o Rubro-Verde marcou o terceiro gol.

A outra virtude dele era a generosidade. Algo que muitos por aí, tidos como santos, não possuem.Ele sempre procurava chegar primeiro, ser o primeiro, em tudo, mas egoísta, jamais fora.Pois é. Aí passa o tempo, e já adolescentes, quase simultaneamente, também nos mudamos daquela avenida que de tanta saudade faz remoer o coração. E nossas vidas tomaram rumos diferentes, e nossa convivência deixou de existir. Pena.Ele começou no mundo dos negócios criando e vendendo cavalos, e é tudo o que sei. Algumas vezes ainda encontro com seu irmão mais novo, também meu amigo, e fora quando soube algo sobre ele. Certa feita, através desse seu irmão, convidou-me para ir trabalhar consigo, mas em Curitiba/PR. Disse-me que precisava de alguém de sua confiança. E não pude ir.

E sempre me arrependi disso. Ele pilotava avião e helicóptero. Falava inglês e espanhol, e se bobear até chinês Conhecera o mundo. Fizera, conforme dizem fortuna. E creio sinceramente que fez e teve tudo o que queria.Agora, aos 42 anos termina os seus dias de maneira trágica. O que pode ser difícil de aceitar, mas fácil de entender. Em se tratando dele tudo devia ser grandioso, do tamanho de sua audácia e ambição. Para mim ficam as lembranças, e um carinho todo especial, por alguém que fez parte da melhor época de minha vida. Pode partir em paz Clévio, meu amigo, e esqueça aqueles que o acusam, porque eles não conhecem a sua história desde o início. Muito embora, se o conheço, e acredito que sim, você nunca deu a mínima pra eles.

J. Costa Jr. (O colaborador é escritor e cronista) www.passaaregua.blogspot.com

 


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Dicas para fazer um bom texto:

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