Rafael RicciQuando se fala em balé, o pensamento já busca imagens de mulheres.
Da mesma forma, a palavra jiu-jítsu está, literalmente, agregada aos homens, quando não a um esporte violento, estereótipo criado pelos conhecidos "Vale Tudo", que, como o próprio nome diz, se refere a vários estilos de artes marciais e não só ao jiu-jítsu.
Na contra mão deste paradigma estão duas rio-clarenses que, pelo menos, três vezes por semana, treinam a arte marcial em busca de divulgá-la ainda mais entre as mulheres e também conquistar bons resultados em competições. Essas raridades tratam-se de Simone Pessoa e Ana Paula Condutta.
Formada em pedagogia e inserida nas artes marciais, desde os 4 anos, quando iniciou a prática do judô, Simone tem um currículo extenso com vários títulos em ambas as artes.
"Eu comecei no jiu-jítsu aos 27 anos devido ao meu irmão. Ele foi a primeira pessoa com quem treinei. Isso foi na década de 90. Meu primeiro título veio em 2002", revela a professora, que vem de uma família de judocas.
"Competições para mulheres eram raridade; nesta época havia apenas dois torneios por ano. Hoje já cresceu bastante, quase todos os finais de semana há competições, apesar do número de participantes ser bem menor, em relação aos homens", acrescentou Simone.
E foi um pouco desta visibilidade "maior", comparando-se há 13 anos, e também a paixão pelas artes marciais, que chamou a atenção da zootécnica Ana Paula. "Em 2001, eu comecei a praticar esportes de luta. Fiz capoeira, depois pratiquei karatê, até que conheci o jiu-jítsu e me interessei", diz.
Hoje, dentro da graduação da modalidade, Simone é faixa preta 1º Dan, enquanto Ana Paula está na primeira escala, na faixa branca. "Até chegar a faixa preta, eu preciso passar pela azul, roxa e marrom. Aí depois, tem os Dans. Ao todo são dez", comenta a aluna.
Segundo Simone, são poucas pessoas vivas que estão acima do 5º Dan, o que mostra a dificuldade de evolução da arte. "Acredito que apenas no Japão deva ter mestres com essa graduação, próxima do 10º", relata.
Sobre as dificuldades enfrentadas no dia a dia, ambas confirmam que o preconceito é um dos principais, o que atrapalha o crescimento do número de mulheres. "Uma das coisas mais difíceis é convencer os namorados. Alguns não aceitam", diz Simone.
Outro fato, de acordo com as atletas, é essa imagem de violência associada ao jiu-jítsu. "A arte é toda feita no chão. São apenas golpes de imobilização, não há pancadas. É um jogo de estratégia, onde você procura encaixar o melhor golpe", explica Ana Paula.
Mas como em todas as conquistas importantes, as atletas rio-clarenses dizem que continuarão neste árduo entrave, até quem sabe, conseguirem chegar ao verdadeiro significado do jiu-jítsu: um "caminho suave".
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