Cenários e cenas
Jaime Leitão
Alguns cenários e algumas cenas merecem ser analisados e comentados. Um dos cenários, que envolve figurino, aula de boas maneiras , carisma e oratória, está sendo montado pelos marqueteiros da pré-candidata a presidência em 2010, Dilma Rousseff. Serão muitos cenários nos quais ela se apresentará como educada, delicada, preocupada com o meio ambiente desde criancinha, sorrindo de várias maneiras. Será um trabalho e tanto. Desafio hercúleo. Mas os marqueteiros ganharão muito bem para fazer esse serviço aparentemente impossível. No Nordeste, já estão divulgando o slogan: Dilma do Lula para ver se cola. Se colar...
Outra cena inusitada e assustadora teve como cenário há dez dias uma universidade em São Bernardo do Campo, a Uniban, na qual uma aluna do curso de turismo, por estar usando uma microssaia, quase foi linchada pelos colegas e, segundo ela, com anuência de alguns funcionários e até de professores. Xingada de prostituta e outros nomes, sofreu um assédio moral histérico, sem precedentes no Brasil. A cena final foi simplesmente tragicômica: ela saiu da faculdade escoltada por policiais, usando um jaleco emprestado de um professor para evitar que apanhasse. O fundamentalismo dos alunos daquela faculdade veio à tona de uma tal forma que surpreendeu a todos. Fundamentalismo ou selvageria pura? Universitários fazendo uma viagem até a Idade da Pedra para exercitar a imaginação. Mas que falta de criatividade!
Outro cenário incrível e cômico ocorreu na Venezuela, com Lula e Chávez, abaixados em uma plantação de soja em El Tigre, posando para os repórteres. A frase extraordinária ficou por conta de Chávez, que fez questão de dizer: “Lula chegou como Cristo anunciando o Evangelho”, referindo-se à força que Lula deu para que o seu país ingressasse no Mercosul. O fundamentalismo político na América do Sul tem em Lula e Chávez hoje os seus principais representantes. Adoram colocar Cristo no meio do circo que eles montam nos mais diversos lugares.
Outro cenário que está mais do que usado e mostrado é o da embaixada brasileira em Tegucigalpa, Honduras. Serve de hotel para o presidente deposto Manuel Zelaya e a sua comitiva ex-presidencial.
Muda o cenário para o Congresso de Honduras e para os assessores norte-americanos de Obama que foram pressionar os congressistas a chegar a uma solução rápida para o impasse. Enquanto a embaixada continua sendo o quartel- general de Zelaya, os Estados Unidos falam grosso e o circo continua como sempre foi, com muita palhaçada e pouca eficiência diplomática do Brasil, que deveria ter enquadrado Zelaya, não deixá-lo tão à vontade na embaixada como se fosse a casa da mãe Joana, posando para o mundo como um herói. Nessa história não há heróis, só vilões. Golpista e golpeado se parecem.
Bom domingo.
Com cenas e cenários melhores.
(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linbkway.com.br)
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