A geografia
da gripe
Jaime Leitão
A gripe influenza A, que ficou conhecida como gripe suína, passou a delimitar uma nova geografia: a dos países que têm muitos casos (como México, Argentina, Estados Unidos, Canadá e o Chile), e que recebem do Ministério da Saúde a recomendação para não viajarmos para lá, e os que ainda não são considerados áreas de risco. A verdade é que os casos vêm aumentando, principalmente no Hemisfério Sul, devido ao inverno, e logo mais será difícil separar os locais perigosos daqueles que não são. A recomendação é válida, mas talvez perca o sentido em breve porque novos casos surgem a todo momento, não só naqueles países que apareceram como os focos principais.
Várias escolas no Brasil anteciparam as férias pelo fato de alguns alunos terem chegado da Argentina e Chile e terem apresentado sintomas. No início, quando surgiram os primeiros casos no México, há cerca de três meses, eu escrevi afirmando que a prudência era fundamental, mas era importante evitar o pânico.
Agora, com a gripe se disseminando inclusive no Brasil, reafirmo que não resolve entrar em pânico, mas é necessário mais do que nunca acompanhar os casos suspeitos que surgirem para evitar que eles se agravem e provoquem mais mortes.
O problema é saber com exatidão quem se expôs ao vírus. Por exemplo, quem vai a um show com milhares de pessoas na plateia não tem condições de saber quem está contaminado ou não. Outra providência que deve ser tomada pelo Ministério da Saúde é monitorar os casos suspeitos nas próprias cidades em que surgem, sem a necessidade de obrigar o paciente a se deslocar a outra cidade para ser acompanhado. A providência de armar tendas, com laboratório e atendimento médico em várias cidades do Sul que fazem fronteira com a Argentina, é uma boa medida.
Teremos que conviver com esses tempos nada agradáveis, inclusive, em algumas situações, provavelmente seremos obrigados a usar máscaras para evitar a contaminação. Esperamos que o inverno não seja tão frio daqui para a frente como foi nos dias que o antecederam, em que os termômetros chegaram aos 2,5 graus na nossa região. Desde essa época, peguei um resfriado que até agora não consegui debelar por completo, mas não é gripe suína.
Temos que repensar a nossa sociedade, também no sentido de enfrentarmos as pandemias quando elas surgem, organizando uma operação de guerra para combatê-las.
O importante é pensar numa logística eficiente e rápida.
Não podemos nos conformar em passar a conviver nos ambientes públicos usando máscara sempre. Isso só tem sentido em uma emergência. Permanentemente, é insuportável. Imagine ir a uma pizzaria ou restaurante comer uma pizza e tomar um vinho e termos que tirar a máscara para comer e beber, colocando-a em seguida, preocupados com a gripe tão anunciada. Será impossível conversar, por mais que treinemos.
(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linkway.com.br)
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