José Carlos de Carvalho Carneiro
O espírito de livre empresa, incluído o princípio de responsabilidade pessoal dos empresários, investidores e acionistas por suas decisões, vem sendo erodido nos últimos meses. Não há razão para acreditar que podemos obter resultados melhores desviando a responsabilidade para o Estado. São palavras de Vladimir Putin, Primeiro Ministro da Rússia. E complementa, para a grande imprensa: é preciso evitar a excessiva intervenção na economia, assim como a fé cega na onipotência do Estado, acrescentando, ainda, que, no século 20, a União Soviética tornou absoluto o poder do Estado. A longo prazo, isso tornou a economia totalmente incompetitiva e essa lição nos custou caro.
Pode-se concluir pelas palavras sábias do dirigente russo que o Estado deve regular situações, para evitar abusos e inconsequências do mercado, da mesma forma que deve comparecer e auxiliar, quando necessário, como ocorre no momento presente em que a iniciativa privada enfrenta grave crise, aliás, oriunda da irresponsabilidade de milhares de agentes econômicos que deixaram de obedecer a regras mínimas de segurança nas aplicações de capitais. Passaram a especular, criando verdadeiras bolhas de ilusão.
É mais do que justo e certo que o Estado imprima diretrizes de segurança aos agentes econômicos, porque suas atuações envolvem a poupança popular e a economia de todos os cidadãos de um país. Daí, no entanto, atribuir-se outras tarefas ao Estado, inclusive mercadológicas, passa a ser, então, inconveniente para um país, porque o paternalismo do Estado, certamente, levará à ausência de competição no setor produtivo, comercial e de serviços, comunizando atitudes e beneficiando os apaniguados dos políticos de plantão, como ocorreu na Rússia e na China.
O capitalismo possui remédios vários para alavancar os países frente à atual crise. Ao Estado vai caber a tarefa de determinar procedimentos seguros aos agentes econômicos, evitando que se lancem em aventuras de alto risco, como aconteceu nos Estados Unidos com o problema dos imóveis, em outros países com outras atuações de mercado e, no Brasil, com o problema dos automóveis, que, na verdade, parece ser a nossa bolha e nosso grande problema, a ser resolvido dentro dos próximos anos.
Relembre-se que o mundo globalizado, em sua quase totalidade, escolheu o capitalismo como ideologia e como norma de procedimento para os países do planeta, porque é a única opção que possibilita ao indivíduo competir e permite que as empresas, em processo competitivo, ofereçam bens em condições de escolha por parte dos consumidores. Ninguém fica obrigado, como em Cuba, a adquirir carros velhos e nem a agüentar, por horas, os discursos de Fidel Castro ou de seu irmão.
Partidos Políticos e Movimentos Sociais, como o MST, que pensam de forma diferente, estão na mão contrária da História e não sobreviverão por muito mais tempo. Não há mais lugar para o Estado absoluto e para a ausência de competitividade no seio da sociedade contemporânea.
(O colaborador é advogado, jornalista e empresário. E-mail: carneiro@claretianas.com.br - carneirojc@ig.com.br)
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