(Ednéia Silva) - Ser bailarina, professora ou médica: nada disso atraiu a atenção da menina Maria Aparecida do Nascimento. Desde pequena seu grande sonho sempre foi ser motorista. Há sete meses ela conseguiu realizar o desejo. Maria tornou-se uma das cinco motoristas femininas da empresa Rápido São Paulo, responsável pelo transporte coletivo na cidade.Ela conduz o ônibus que faz baldeação na linha Rio Claro-Ajapi. Ser minoria em uma profissão predominantemente masculina não preocupa a motorista. O que importa para ela é ter realizado seu sonho de menina. "Sempre quis dirigir e nunca tive chance. Agora tive a oportunidade de realizar o meu sonho", comenta, feliz, Maria.
O caminho percorrido até a realização do sonho não foi fácil. Ela começou na empresa como cobradora. Quando abriram as inscrições para o curso de formação de motoristas ela se inscreveu, "graduou-se" com mérito, e hoje percorre Rio Claro de ônibus, para a alegria do filho Douglas do Nascimento Rodrigues, 8, que acha "o máximo" ter uma mãe motorista. "Acho muito bonito. Eu já andei com ela e é muito legal vê-la dirigindo o ônibus", diz o menino.
Maria conta que não teve problemas em seu primeiro dia de trabalho como motorista, fora a ansiedade. Ela lembra que foi muito bem recebida pelos colegas e passageiros. "As pessoas vinham me cumprimentar, me elogiavam, eu tive a maior força para fazer o que eu faço", comenta.
O relacionamento de Maria com os colegas homens também não apresenta problemas. Segundo ela, a maioria deles dá a maior força e aqueles mais resistentes não tecem comentários. Força mesmo ela ganhou do marido Josias Rodrigues, que também é colega de profissão. Ele é motorista da concessionária e atua no transporte escolar.
"Eu fui a pessoa que deu a maior força. Era o sonho dela e incentivei a agarrar a oportunidade com unhas e dentes", afirma Rodrigues. Conforme ele, seus colegas não estranharam muito o fato porque já existiam mulheres motoristas na empresa, que desempenham um excelente trabalho. Inclusive, outro dia, ele ouviu sem querer elogios feitos à sua esposa por um colega que não sabia do parentesco. "Fiquei muito feliz", garante.
Quanto aos homens que fazem piadas sobre a competência da mulher no trânsito, Maria manda um recado: "A mulher também é capaz de fazer o que o homem faz. Não é porque é mulher que vai fazer errado. Eu sei que sou capaz, confio no que faço e essas piadas e brincadeiras não me atingem", salienta a motorista.
Para as mulheres que sonham em ingressar numa carreira predominantemente masculina, o conselho de Maria é seguir em frente. "Dou a maior força. Minha amiga também quer ser motorista e depois de muita insistência minha ela decidiu tentar realizar o sonho", conta. "A gente tem que fazer o que gosta", complementa.
Questionada sobre se tem alguma preferência por veículo ou se sonha dirigir algo diferente do ônibus, Maria frisa que seu sonho é dirigir, não importa o quê. "Meu sonho é dirigir. Não tenho empolgação por outro tipo de veículo", esclarece. Para ela, não há diferença entre dirigir veículo grande e pequeno, o que precisa é ter consciência do tamanho do automóvel para não ter problemas ao estacionar.
Sobre o fato de que as mulheres são mais cuidadosas no trânsito do que os homens, Maria acredita que as motoristas femininas são menos aventureiras que os condutores masculinos. "Elas têm um pouco mais de cuidado no trânsito", observa. A motorista finaliza agradecendo a oportunidade que a empresa lhe deu de realizar o sonho acalentado desde a infância.
| < Anterior | Próximo > |
|---|

