Quem tem medo do Google?

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PRISMA

Quem tem medo do Google?

Sandra R.S. Baldessin

O tradicional mercado editorial anda assombrado por vários fantasmas do futuro. Esses que são gerados pelas novas tecnologias e incorporados à experiência cotidiana com uma rapidez extraordinária.
No início de outubro, a Amazon lançou para o Brasil e o mundo o seu leitor de livros eletrônicos (e-books), o decantado Kindle com cobertura 3G. Para os brasileiros, o Kindle não é nenhum presente antecipado de Papai Noel, pois o custo total gira em torno de mil reais, sem falar no valor pago por livros baixados e o estresse para comprar a partir de terras tupiniquins, já que a Amazon, dona do dito cujo, exige cartão de crédito com endereço nos Estados Unidos.
E quem é que compra o Kindle nos EUA? Segundo pesquisas de mercado, são os fanáticos por livros, que adquirem mais de um livro por dia. Bem parecido com o Brasil que a gente sonha, não?
Isso mostra porque no Brasil os donos do negócio não ficaram nem um pouco preocupados com o produto da Amazon. Mas, quando já estavam todos dormindo em paz, inclusive a Amazon, que não depende do mercado brasileiro para expandir suas vendas, veio a surpresa.
O Google anunciou durante a Feira Internacional de Livros de Frankfurt, na Alemanha, o lançamento do seu projeto Google Editions, uma incomensurável loja digital que marcará o ingresso definitivo da empresa no universo editorial, através da digitalização de livros.
Eu não sei avaliar o alcance desse processo, mas só de pensar que escritores terão oportunidade de negociar diretamente a digitalização de suas obras, eliminando uma grande parte dos atravessadores que o afastam do contato direto com os leitores, a ideia já me parece atraente.
Outro fator positivo é que o Google Editions oferecerá uma plataforma de livros digitalizados que não serão baixados, mas ficarão disponíveis na rede, e poderão ser lidos a partir de qualquer dispositivo que possua tela e esteja conectado à internet.
Abrange computadores, celulares e até mesmo leitores eletrônicos, caso a pessoa deseje mesmo ter um desses aparelhos. Os livros serão compatíveis com a maioria dos leitores de código aberto já presentes no mercado, o que não é o caso do Kindle, que só lê livros da Amazon.
O Google Editions também promete digitalizar obras que desapareceram das prateleiras das livrarias, pois não há interesse comercial na reedição. Outro aspecto positivo.
O futuro chegou, mas certamente não trará o fim do livro como o conhecemos, pois várias pesquisas mostram que as pessoas que leem em leitores eletrônicos e no computador acabam adquirindo também o livro de papel. Mas seria ótimo se toda essa concorrência contribuísse para adequar o valor do objeto livro ao poder aquisitivo dos brasileiros.

(A colaboradora é escritora e consultora em Comunicação Escrita. sbaldessin@gmail.com)
 

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