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28/11/2009 - 07h46 Comunicar Erro E-Mail Espalhe aos amigos E-Mail
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Os 110 anos da Cervejaria Rio Claro e da Caracu

ARTIGO

Os 110 anos da Cervejaria Rio Claro e da Caracu

Aldo Demarchi

Apresentei esta semana na Assembléia Legislativa o Requerimento número 2679/2009, em que proponho o registro de voto de congratulações pelo transcurso dos 110 anos de fundação da Cervejaria Rio Claro e do lançamento da Cerveja Caracu, a primeira do tipo stout produzida com cevada torrada da América Latina.
Criada em 1899 pelo major Carlos Pinho, a empresa representou o início do processo de industrialização de uma cidade que até então baseava sua economia na agricultura, com destaque para a produção de café, e nos empregos oferecidos pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Em 1902, o major Carlos Pinho arrendou a fábrica para o alemão Julio Stern. O arrendamento transformou-se, no ano de 1910, em sociedade anônima, sob a denominação de Cervejaria Rio Claro Companhia Industrial. Mais tarde, voltou a ser uma companhia limitada, tendo como diretor o Sr. Oscar Batista da Costa. O negócio registrou períodos de crescimento e dificuldades até 1929, quando os efeitos da crise econômica mundial eclodida a partir da quebra da bolsa de valores norte-americana foram devastadores para a empresa.
Por sorte, no ano seguinte, o empresário italiano naturalizado brasileiro, Nicolau Scarpa, adquiriu a indústria e deu início a um processo de modernização e consolidação da Caracu no mercado. O comendador Scarpa investiu em máquinas capazes de produção em larga escala e construiu prédios para a gerência, diretoria, refeitório, conferência, setor de vasilhames e adegas, bem como um galpão para as caldeiras. Quando faleceu, em 1942, deixou um sólido patrimônio para os filhos Francisco Scarpa e Nicolau Scarpa Júnior, que continuaram os projetos de ampliação iniciados pelo patriarca da família.
Eles construíram o prédio da Avenida 4 com rua 8, que abrigava a fábrica de gelo e a ferramentaria, e o anexo de três pavimentos, onde ficavam a casa de máquinas e os resfriadores de água. Na sequência, avançaram para o interior da quadra com 8 mil metros quadrados de área e ergueram outro prédio, todo de cimento armado, com três andares e erguido para comportar máquinas compradas no exterior. No local, instalaram ainda a nova carpintaria, o engarrafamento e o armazém. Depois, levantaram um edifício de oito andares, o mais alto de todas as indústrias paulistas da época. No último andar, ficava o moinho da cevada e, logo abaixo, os tanques para produção de cerveja. Na parte de baixo, os demais setores, entre eles o de envasamento. Uma das características marcantes da construção que existe até hoje era a chaminé de 40 metros de altura, que durante décadas exalou o aroma de cevada por toda a cidade.
No ano de 1967, a Cervejaria Rio Claro patenteou no Brasil a Skol, sob licença da fábrica dinamarquesa Carlsberg, que três anos antes lançara a marca na Europa. Em 1971, a cervejaria lançou a primeira cerveja em lata do Brasil, a Skol-Caracu, com embalagem produzida a partir de folha de flandres. Na época, a família Scarpa detinha 46% do controle acionário do grupo, 26% eram capital estrangeiro e os 28% pertenciam a acionistas diversos. Houve uma fase de grande crescimento, com fábricas em Rio Claro, Londrina, Rio de Janeiro e Santos.
A lata de alumínio, em 1989, e a garrafa "long neck" com tampa de rosca, logo em seguida, são outros exemplos do pioneirismo e dinamismo da empresa, que manteve suas atividades em Rio Claro até 1992, quando a empresa Brahma hoje integrante da Ambev transferiu toda a linha de produção para Agudos.
Essa homenagem que presto a todos os que fizeram parte dessa história somente se materializou graças ao empenho e colaboração do amigo Arnaldo Pecini, que durante muitos anos foi um dos principais executivos da indústria que mudou os rumos econômicos de Rio Claro.

(O colaborador é deputado estadual. E-mail: aldodemarchi@vivax.com.br)
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