A bagunça no Centro

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A bagunça no Centro

José Carlos de Carvalho Carneiro

Como bem salientou este jornal, a empresa responsável e incumbida da implantação de novas instalações e encanamentos de água na região central da cidade, as obras conseqüentes não trariam transtornos ao trânsito, aos moradores e nem à população, porque seriam abertas valas, somente, nas esquinas e as ligações seriam feitas com a celeridade que a situação requer. Esperava-se, ainda, que a Guarda Municipal emprestasse seu apoio no direcionamento do trânsito e das pessoas.
Entretanto, ficou o dito pelo não dito. O DAAE sumiu e a Prefeitura também, E as obras colocaram e estão colocando a população em verdadeiro estado de revolta, inclusive, até, com relação aos montes e montes de paralelepípedos, empilhados nas calçadas, e que foram retirados do leito das ruas e removidos para não se sabe onde, embora se saiba que tais materiais pertencem aos proprietários lindeiros das ruas respectivas, pois que pagaram eles pelo asfaltamento das vias, realizado por sobre o leito de onde se extraiu parte das pedras. Como fica o caso?
Então, na realidade, estamos vivendo em Rio Claro uma situação difícil e incômoda. Ocorre omissão do Poder Público, com referência a inúmeros problemas, inclusive, trânsito, saúde e atuações jurídico-administrativas, embora saibamos que não ocorre falta ou carência de servidores municipais, dado que se entupiu a municipalidade de cidadãos e cidadãs ligados a Partidos Políticos ou por laços de amizade, ficando demonstrado que, satisfeito o pequeno círculo político, o resto que se contente com as sobras, aliás, com inclusão do endividamento absurdo da cidade e com a embromação da PPP do DAAE.
Dizem os portugueses que, “quem não tem competência, não se deve estabelecer”, valendo a regra para empresários e para a administração pública. Aliás, nenhum munícipe, de nenhum local deste país, é obrigado a tolerar administradores incompetentes ou corruptos ou ambos, razão por que o instituto do voto precisa de muito aperfeiçoamento, devendo-se exigir dos pretendentes a administradores públicos, além de atestados de moralidade ilibada, currículos demonstrativos de competência e capacidade, porque um incompetente, corrupto ou ambos, à frente da Coisa Pública, consegue fazer estragos insanáveis e incuráveis.
Eis que, ainda, o loteamento de cargos na administração pública, também, leva a Coisa Pública a perseguir o fracasso e muitos eleitores deste país a engajar-se em multidões de insatisfeitos e revoltados, porque homens incertos são colocados em lugares que requerem pessoas aptas e capazes, mas que, na maioria das vezes, não possuem coloração político-partidária. Seria o caso de Rio Claro?
Se for, providências precisam ser tomadas urgentemente. Se não for, como se explica a confusão no centro da cidade, de que estamos falando? Com efeito, uma comunidade, com duzentos mil habitantes, requer e deseja eficiência, rapidez, sem subterfúgios políticos e sem paliativos ou mentirinhas que não devem existir, a bem da moralidade e transparência públicas. Aliás, primeiramente, uma administração pública precisa ter em mente e mira as prioridades do povo e dos contribuintes e não as dos Partidos Políticos e de seus respectivos membros.

(O colaborador é advogado, jornalista e empresário. E-mail: carneiro@claretianas.com.br - carneirojc@ig.com.br)
 

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