Os vinte milhões e a Câmara

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Os vinte milhões e a Câmara

José Carlos de Carvalho Carneiro

Em segunda e última discussão, a nossa edilidade aprovou o projeto de empréstimo de até R$ 19.593,036,40, junto à Caixa Econômica Federal, obviamente, submetendo o município a juros e demais custos bancários inerentes aos empréstimos bancários, o que, por certo, coloca a municipalidade de Rio Claro em situação de endividada exemplar e que precisará, sem dúvida, do sacrifício de toda a população, de futuro, para poder operar o pagamento da dívida contraída. Não importa o prazo, porque a dívida precisa ser quitada e satisfeita, gostando ou não os supervenientes administradores.
Na verdade, o que foi prometido, por ocasião da campanha eleitoral, é que o que vai ser feito, agora, pela cessação parcial das enchentes, na cidade, poderia ser feito a custo zero, ou seja, mediante obtenção de verba, a “fundo perdido”, e não com empréstimos onerosos. Eram, então, palavras ao vento, porque a população irá enfrentar custos e onerações bancárias, de um empréstimo de quase vinte milhões de reais. E isto sem questionamentos de nossa edilidade, exceto pelo voto de três edis, cujos nomes precisam ser bem guardados, internamente, no título de eleitor dos contribuintes rio-clarenses.
Com efeito, durante anos e anos a fio, a população arcará com os pagamentos da dívida contraída e, certamente, terá que suportar os aumentos de tributos, sob o pretexto de pagamento do débito. Todos sabem que o município de Rio Claro está excessivamente endividado e, por isto mesmo, é que tal circunstância sempre foi demonstrada e explorada pela antiga oposição e hoje situação, no poder. Mas votou-se favoravelmente a um endividamento bem maior e que poderá acarretar a elevação do IPTU, já de valor insuportável, se comparável a outras cidades da região, inclusive, para o próximo ano. Não se esqueça de questionar, então, o seu vereador.
Relembre-se que o bom empresário foge de bancos, quando precisa pagar juros. Gosta de recebê-los, em benefício de sua atividade. Sem dúvida que o mesmo raciocínio deve ser aplicado na administração pública, se o dirigente tiver consciência de que serão os contribuintes e munícipes que arcarão com o endividamento, a curto, médio e longo prazos. Assim, o administrador público não pode e nem deve gerir a Coisa Pública como mau empresário e como se fosse sua propriedade particular. Se o empresário quiser endividar sua empresa, é problema dele, mas não pode ser dado o direito ao administrador público de gerir mal a coisa de todos.
Não duvidem os leitores de que, brevemente, teremos aumentos nos tributos municipais e, como resultado, inadimplências aceleradas, clamando por novos REFIS, porque a dívida ativa do município, que é composta por débitos não pagos de contribuintes, irá aumentar assustadoramente e passar bem longe dos atuais setenta milhões de reais, aproximadamente. Que, então, o povo cobre devidamente aqueles que faltaram com o prometido e que ocupam, atualmente, os poderes Executivo e Legislativo deste município, embora seja tarde para chorar o leite derramado...!
 

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