Democracia, imprensa e verdades

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Democracia, imprensa e verdades

José Carlos de Carvalho Carneiro

Se não vivêssemos em regime democrático pleno, não teríamos a imprensa, falada, escrita e televisionada, que temos na atualidade. Teríamos, então, órgãos de imprensa e jornalistas totalmente submetidos às vontades governamentais, como ocorre em Cuba, Venezuela e outros países, o que seria um verdadeiro desastre para uma Nação, como a nossa, que progrediu muito, cresceu bastante e quer-se desenvolver muito mais, mas sempre tendo como suporte as liberdades fundamentais e sempre desejadas pelo ser humano.
Dezenas de políticos poderosos têm dançado a valsa dos lobos, ao som das críticas e observações de uma imprensa pesquisadora e afirmativa, com fundamento em provas. Os políticos poderosos ou pretensamente poderosos fingem não dar nenhuma importância à imprensa, seja ela do tamanho que for, do interior, das capitais ou nacional. Mas sabem gritar e gemer, às escondidas, quando suas falcatruas ou atos desonestos e indignos são expostos. Alguns procuram a Justiça no afã de impedir a veiculação das verdades, com liminares concedidas por magistrados menos avisados, como é o caso de Sarney contra o Estadão.
Aliás, a grande missão da imprensa, em favor do povo e em benefício de cidades, Estados ou Nação, é, exatamente, atirar à execração pública tipos corruptos e célebres de determinados Partidos Políticos, tais como o tão mencionado Sarney, Delúbio Soares, José Dirceu e tantos outros, comprovando a indignidade de seus atos e atitudes. Imaginemos nós o país, com os atuais Partidos Políticos, com os políticos que se apresentam ao povo, sem o crivo e as denúncias de uma imprensa forte e corajosa, como a que temos?
Na verdade, seriam eles até capazes de mudar o país de lugar no mapa mundi, obviamente, retirando antes todas as riquezas, porque a quase totalidade deles todos sempre pensa em seus interesses e nunca nos do povo e das comunidades que deveriam receber seus benefícios, mesmo porque contam com a quase certeza da impunidade e, ainda, com a fraca memória do povo brasileiro. A imprensa, de outro lado, tem outra missão bastante importante e que se traduz no afazer de reavivar a memória dos eleitores com relação a fatos condenáveis e abomináveis.
Convenhamos, porém, que a coragem dos políticos corruptos e indignos, seja na esfera municipal, estadual ou federal, é enorme. Alguns chegam a dimensionar o órgão de imprensa que lhes mete medo e para afirmarem que só para ele dão importância, esquecendo-se de que uma denúncia comprovada, de qualquer órgão de imprensa, do interior ou das capitais, pode comprometer a vida do político corrupto, colaborando com os eleitores. Mas, na verdade, leem todos os jornais e até com gula, a fim de verificarem se os atos de sua corrupção ou indignidade foram dados a público.
Tem-se, assim, a conclusão de que quanto mais forte e livre for a imprensa de uma cidade, Estado ou país, mais protegido estará o povo da sanha dos políticos corruptos e indignos e que, na atualidade, representam número vultoso.

(O colaborador é advogado, jornalista e empresário. E-mail: carneiro@claretianas.com.br - carneirojc@ig.com.br)
 

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