Juízes na praça

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TOQUE RÁPIDO

Juízes na praça

Jaime Leitão

Ninguém contesta a afirmação: o Judiciário no Brasil é muito lento, anda a passos de tartaruga com artrite. Os próprios juízes reconhecem isso. E essa lentidão chega a um ponto que os processos se acumulam de uma tal maneira que é necessário buscar formas alternativas de fazer a Justiça caminhar a passos mais rápidos. Sem isso, continuaremos imersos no atraso.
Ontem, em Goiânia, uma ideia brilhante nesse sentido foi posta em prática por oito juízes, que foram a uma praça pública de Goiânia, em barracas montadas, com computadores ligados ao Tribunal de Justiça, atender a população. E funcionou.
Muitas pendências foram resolvidas em poucos minutos e os problemas solucionados rapidamente. Em outros casos mais complexos, audiências foram agendadas. Resultado: juízes quebraram a distância gigantesca que separa o Judiciário da população. A faixa colocada foi direta: O Tribunal de Justiça quer ouvir o cidadão. Maravilha. A frase foi verdadeira. O Tribunal de Justiça foi ouvir a população.
Essa iniciativa precisaria ser copiada por outras cidades brasileiras. Sair do gabinete e se aproximar do público para entender as suas dificuldades, mostrando boa vontade para resolvê-las.
Também as câmaras de vereadores, prefeitos e secretários precisariam periodicamente realizar sessões em praças públicas para solucionar sem burocracia alguns problemas que não são insolúveis como a princípio se imagina. O que ocorreu em Goiânia também não pode ser um ato isolado. Outras audiências dessa natureza deverão acontecer lá, já que no estado de Goiás há quase cem mil processos parados ou quase. Números exorbitantes.
Os poderes precisam dialogar com a população. Só ganharão com isso. Chegamos a um momento em que não dá mais para ver os poderes como ilhas encasteladas em locais inacessíveis, como se estivessem em uma redoma totalmente blindada.
É hora de inovar, de buscar caminhos alternativos para eliminar as montanhas de processos que lotam os Palácios de Justiça do Brasil inteiro. A Justiça não perde credibilidade em uma praça pública, muito pelo contrário, ela assume ares novos e passa a ser vista com outros olhos por aqueles que necessitam dela, mas não sabem como recorrer a ela na maioria das circunstâncias.
Espero que nos próximos meses outras cidades busquem esse caminho. É só consultar o Tribunal de Goiânia e perguntar o que é necessário para montar esse esquema original. Não é tão simples assim? Penso que em quase todas as cidades há um juiz disposto a liderar essa forma de agilizar a Justiça. Estou enganado? Espero que não. Há muita gente necessitando desse tipo de iniciativa. O que se esgotou necessita de um novo formato. E com a máxima urgência.

(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linkway.com.br)
 

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