Armadilhas do consumo
Jaime Leitão
Quando vamos comprar um produto, temos que tomar cuidado com as armadilhas que há na nossa frente. E não são poucas. Alguns clientes ficam maravilhados com ofertas de compras de carros ou apartamentos, com entrada só em 2014, ano da Copa no Brasil. Só que essa oferta tentadora pode desviar o comprador de um cálculo cuidadoso dos juros incididos sobre o produto. Entrada no final parece piada. Não é entrada, então, mas saída.
Outra armadilha é a das chamadas garantias estendidas de produtos elétricos e eletrônicos. O Procon vem acumulando reclamações de consumidores que foram comprar um computador, aparelho de som ou TV, e na hora caíram na lábia do vendedor, pagando entre 30% e 50% a mais pela chamada garantia estendida, que passa a ideia de que o produto será garantido pelo fabricante por um tempo bem maior, chegando até a cinco anos.
Eu mesmo, que sou um consumidor bissexto, daqueles que vão a uma loja comprar um aparelho quando o anterior já não tem mais conserto, já caí na tal da garantia estendida, e paguei quase cinquenta por cento a mais do que pagaria se ficasse com a garantia de fábrica. Nunca mais caio nessa. Foi bom para aprender.
A garantia estendida nada mais é do que um seguro, com o vendedor funcionando como uma espécie de corretor, com direito à comissão se conseguir faturar em cima do produto que está vendendo. E muitos reclamantes, que vão ao Procon, alegam que não conseguiram consertar o aparelho que deu defeito porque há uma série de regras que não ficam claras na hora da compra.
Quando entro em uma loja, costumo colocar os pés no freio porque é muito fácil cair e comprar muito mais do que se pretende inicialmente. Vamos comprar um telefone sem fio e levamos uma TV LCD, que não estava programada no orçamento. E ainda com garantia estendida. Que maravilha. Para o vendedor e para a loja.
O mercado sempre busca novas formas de vender, só que elas muitas vezes levam ao engano, pegando o consumidor de surpresa, sem que ele tenha tempo de raciocinar ou de ler o contrato naquelas letrinhas minúsculas, antes de assinar o documento que o tornará refém de um crediário por vários meses ou anos.
Todos consumimos. Se não houver consumo, não haverá empregos, o país para, tudo fica estacionado. Mas consumir deve estar relacionado a tomar cuidado porque somos o alvo dos vendedores, que sabem nos tratar bem. Alguns oferecem um cafezinho, uma água, umas balinhas, até umas bolachinhas. Está montado o cenário e, a partir daí, dificilmente saímos da loja sem comprar.
Outro cuidado: comparar preços. Em meia hora, podemos percorrer meia dúzia de lojas e verificar o preço de determinado produto. Já fiz isso e economizei cem reais. As armadilhas estão aí, cabe a nós desmontá-las.
Bom domingo.
Sem cair nas armadilhas. E na hora de receber a conta em um restaurante, verifique a soma.
(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linkway.com.br)
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