Diplomas falsos
Jaime Leitão
Reportagem do Fantástico, na Globo, no último domingo, exibiu a indústria dos falsos diplomas, que vende certificado de conclusão de curso médio ou técnico por cerca de 500 ou 600 reais e diploma de médico, advogado e outros profissionais por um valor que varia de mil a 2 mil reais. É uma verdadeira banca de diplomas, que são entregues em um período que varia de cinco a quinze dias, dependendo do caso. É um crime gravíssimo porque expõe um grande número de pessoas a profissionais inescrupulosos e sem qualificação para exercer o cargo.
Quantos charlatães foram pegos depois de vários anos atuando como médicos? Mas depois de quanto tempo? Enquanto isso, faturaram se aproveitando da ingenuidade alheia. Dá para imaginar o estrago que fizeram na saúde dos pacientes e as mortes que devem ter causado.
Essa não é a primeira reportagem a que assisto sobre o tema. Assisti a uma outra há mais ou menos dez anos. Por que não fizeram nada ou quase nada? Por mais que seja vista e comentada, a eficácia da mesma costuma ser menor do que deveria por falta de fiscalização adequada e punição exemplar.
Esse tipo de falsificação põe ainda mais em xeque a já combalida educação brasileira.
Um médico com diploma falsificado pode conseguir trabalhar no serviço público de muitas cidades brasileiras, principalmente aquelas menores, em regiões carentes desse profissional que, quando aparece, representa satisfação tanto para o Poder Público quanto para os moradores.
Li há pouco que o financista e criminoso norte-americano, Bernard Madoff, aquele que armou aquela pirâmide milionária que deu um prejuízo de mais de 60 bilhões de dólares em muita gente, foi condenado a 150 anos de prisão. Por mais críticas que tenhamos àquele país, não podemos negar que a Justiça lá funciona muitas vezes melhor do que aqui. Quando atingiremos aquele nível? Nunca?
Um crime como esse, de falsificação de diploma, mereceria uma pena também imensa, tanto para quem vende o diploma como para quem o compra. No caso da pirâmide de Madoff, os que caíram no seu estratagema também precisariam receber uma pena, já que demonstraram má fé ao querer ter uma lucratividade bem acima do mercado especulando.
Algumas faculdades no Brasil representam um risco muito grande para quem for cliente desses profissionais no futuro, diploma falso então trata-se de uma falta ainda mais grave.
Para melhorar a educação no Brasil, é necessário, com a máxima urgência, melhorar o ensino fundamental da rede pública, acabando com a progressão continuada, que aprova até analfabeto, e fiscalizar tanto as escolas quanto os farsantes, que vendem diplomas como se fossem banana ou laranja. Sem isso, estamos perdidos. Totalmente perdidos.
(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.
jaimeleitao@linkway.com.br)
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