Novo esporte olímpico

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ARTIGO

Novo esporte olímpico

Nelson Salomone

Eu acredito que tudo tem um começo e um fim. E, como dizia aquela maluca da Zélia Cardoso, ”no fim dá tudo certo. Se não deu certo é porque ainda não chegou no fim”. Não é uma obra-prima da picaretagem? Isso é coisa de gente “esperta”. E de gente cretina também.
Tudo isso para dizer que o Rio de Janeiro teve um início, mas de acordo com a Zélia ainda não chegou no fim. Haja vista a situação nos morros. Vale um pouco de história.
Leiam com atenção um relato da Revista Veja edição Especial de Março de 2008.
“Na condição de moradores da cidade ................, os cariocas recebem mais informações do exterior e, com toda a justiça, querem ser considerados parte do mundo civilizado................a transferência do príncipe regente e de toda a corte é reconhecida como um acontecimento capaz de provocar mudanças telúricas. A notícia chegou ao Rio no dia 14 de janeiro de 1808, ........Devido à demora e ao inusitado da novidade, a burocracia local, comandada por Marcos de Noronha e Brito, o vice-rei.... esfalfou-se nos preparativos.
Todos os edifícios foram reformados, caiados, pintados, forrados e munidos de passarelas de comunicação para que os fidalgos não ponham os pés na lama. A série de festividades de boas-vindas vai até o dia 15 de março 1808, com a muito aguardada cerimônia do beija-mão. O Senado da Câmara do Rio de Janeiro consignou 4 contos de réis para as luminárias que decoraram o Largo do Paço e outro tanto para bancar a iluminação em volta do agora palácio real, certo de que o momentoso evento entrará "nos anais da história portuguesa e na do gênero humano".
Casas de padrão mais alto foram confiscadas para acomodar os figurões da corte – um PR (Príncipe Regente, ou, na versão popular, Ponha-se na Rua) pintado na fachada é o sinal para a família procurar outras acomodações.
Passadas as festas, também será o caso de pensar quem vai pagar a conta dessa revoada de alguns milhares de pessoas ........... Novos edifícios terão de ser erguidos para alojar os órgãos públicos, e a própria família real precisará ser acomodada a contento. Em compensação, na área cultural ..........causa certa estranheza, num país que, para onde se olhe, é uma floresta só, o plano de criar um jardim botânico, um lugar onde se plantam árvores exóticas. Mas, se toda metrópole tem o seu, o Rio de Janeiro também haverá de querer um. Dá até para sonhar com o tempo em que, além de lindo, o Rio será elegante, culto e cosmopolita. Somando a isso ruas limpas, governantes honestos, administradores competentes e funcionários impolutos, vai se tornar uma maravilha de cidade”.
O que vai agora é meu: A primeira favela do Rio de Janeiro, o Morro da Providência foi batizado no final do século 19 como Morro da Favela,................................. os primeiros moradores eram ex-combatentes da Guerra de Canudos e se fixaram no local por volta de 1897. Cerca de 10 mil soldados foram para o Rio com a promessa do Governo de ganhar casas na então capital federal! Como os entraves políticos e burocráticos atrasaram (como sempre!) a construção dos alojamentos, os ex-combatentes passaram a ocupar provisoriamente as encostas do morro - e por lá acabaram ficando definitivamente!
Vocês não ficam de saco cheio de tanta repetição e enganação de que o Rio de Janeiro será um paraíso em 2014? Pois é! Eu fico!
Hoje as favelas são aos montes e em especial a do Complexo do Alemão. Com as obras do PAC (aquele filho da Dilma!) o governo liberou geral para os bandidos e ninguém entra ou sai sem a permissão deles. Derrubam até helicóptero!
Por ora eles estão treinando o novo esporte olímpico: Tiro ao Homem!

(O autor é empresário, engenheiro químico pelo Mackenzie e mestre em Marketing e Finanças pela Flórida State University - e-mail: nelsonsalomone@gmail.com)
 

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