Ventos da sucessão

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ARTIGO

Ventos da sucessão

Charles Carvalho

A sucessão presidencial tem colocado em cena toda espécie de abuso com o dinheiro público sem nenhum pudor ou cuidado. A pré-candidata Dilma, que tenta demonstrar uma postura séria, assumiu a pré-campanha e sua atual função no governo passou a ser apenas viajar pelo país ao lado do presidente Lula. Enquanto isso, a missão de ministra passa a ser secundária e o PAC, que era um grande projeto, virou simples propaganda enganosa. O futuro poderá demonstrar o quanto não foi investido em obras importantes por conta da agenda política.
No caminho da polarização na disputa, José Serra também optou por começar a viajar pelo país relegando o governo de São Paulo a um plano secundário, tentando passar a impressão de que sua prioridade é o governo paulista, quando sua gestão está comprometida pelo abandono, principalmente em relação ao funcionalismo público.
A candidatura de Dilma até agora é um arremedo, pois ela não tem carisma e apenas se apoia na superpopularidade de Lula, que não é transferível da forma avassaladora como alguns pensam. Sem dúvida há várias conquistas positivas do governo Lula que têm relação direta com a sua capacidade ímpar de transmitir otimismo e estabilidade, além de outra capacidade que é a extrema habilidade política.
E sobre a sucessão, tudo passará por Lula, tanto que a candidatura de Ciro Gomes já fez água, afinal o PT jamais conceberia que o PSB detenha a iniciativa de indicar o candidato à Presidência. Para tanto, Lula acionou toda bancada socialista para não haver dissidência, sem ter esquecido Eduardo Campos, que ainda é um cacique do neossocialismo. Colocar Ciro na disputa paulista pode ser um prêmio de consolação, embora o PT paulista prefira com um nome próprio.
A situação do PSDB tem outros contornos, afinal existem duas candidaturas postas e parece que Aécio esticará a corda o máximo que puder com a proposta de prévias, insuflado de longe por Lula, que deseja incendiar o ninho tucano e provocar o máximo de desgaste possível.
Neste momento, o DEM tem pouco a oferecer ao PSDB, já que o partido está completamente enfraquecido no papel de oposição, não conseguindo corroborar para evitar a popularidade massacrante de Lula, que não é revertida por nenhum fator.
Há vários ingredientes que estão em jogo e cada vez mais cedo as candidaturas vão sendo consolidadas para ganhar textura e testar de antemão o eleitor. Nesta guerra de sucessão vai haver muitos confrontos e todos tentam arrumar um espaço para suas pretensões. Em Rio Claro, a situação não é diferente, o atual prefeito tenta colar sua imagem à de Michel Temer, cotado para vice de Dilma, e ao mesmo tempo faz rasgados elogios a tucanos como Goldman. E apesar de tamanho jogo de cintura, de concreto nenhum investimento significativo aportou em nossa cidade, demonstrando que a aparição política muitas vezes não rende absolutamente nada em termos de investimento.
Na onda das próximas eleições e com foco na sucessão presidencial, restará saber quanto no plano local vamos ser contemplados, ou tudo não passará de jogo de cena para manter as aparências.

(O colaborador é advogado - charlesrc2@bol.com.br)
 

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