A esperança
voltou
Charles Carvalho
A ida da senadora Marina Silva para o Partido Verde enche de esperança todos os que defendem a pauta do meio ambiente como questão estratégica para o desenvolvimento humano. Evidente que nenhum possível plano de governo vai ficar restrito à questão ambiental, no entanto Marina tem um cabedal excepcional, além de aliar outras infinitas qualidades, como visão estratégica, experiência política e com um ingrediente que está em falta: a decência.
Sua saída do PT, no dia em que o Senado abriu a cortina da vergonha, foi mais que simbólico, foi um alerta de que o fundo do poço foi alcançado. Socialistas de fachada, com democratas e sociais democratas da mesma índole, enterraram o pouco que restava de produtivo, manchando toda a Instituição que ainda possui nomes de valor. O rolo compressor do governo Lula, com o beneplácito de parte da oposição, demonstrou um poder descomunal, o poder de dar legalidade, julgar como certo o errado, e assim avançar em direção ao pior da política.
A proposta de Marina Presidente faz todo sentido, pois ela e Heloisa Helena, do PSOL, são mulheres intransigentes em defesa de bons projetos para o país, são mulheres que não se curvam diante das chantagens e benesses que o poder oferece. Hoje a candidatura de Marina Presidente seria a mais firme sinalização na direção do resgate da boa política, já que o governo Lula, apesar de avançar em muitas áreas, tem uma relação de barganha com o Congresso que está totalmente fora de controle e pode num período curto de tempo fazer estragos irreparáveis.
O momento de nossa vida política merece intensa reflexão, sobretudo porque foram perdidos todos os limites, ao ponto de maracutaias de todos para todos os gostos passarem ao largo de qualquer apuração. A existência de um Conselho de Ética de faz de conta, pelo qual toda margem de manobra escusa é possível, joga nossas instituições na lata de lixo. Para agravar a situação, senadores pedem a retomada da vida do Senado.
A cena de Mercadante passando por um constrangimento sem tamanho foi uma demonstração clássica de que determinados valores não têm a menor importância quando se trata de salvar a própria pele. Reunidos, Renan, Collor, Sarney e Lula formaram uma tropa de choque jamais vista, capaz de deixar o DEM e PSDB como amadores.
Não há dúvida de que o futuro da política enquanto espaço de representação popular fica comprometido, mas há luzes no fim do túnel, como Marina Silva, Heloisa Helena, mulheres que sempre lutaram de forma incessante contra tudo isso, ao contrário das candidaturas colocadas de Dilma e Serra, que representam o atraso, os acordos espúrios, e a máxima de que debaixo da governabilidade se esconde o grande vale-tudo.
Que a candidatura de Marina Silva seja consolidada e compreendida como algo melhor na política, como a esperança de relações de poder sem as chicanas a que estamos assistindo, capitaneadas pela trupe Sarney, Virgilio, Collor, Renan, com a regência de Lula.
(O colaborador é advogado. E-mail: charlesrc2@bol.com.br)
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