Pensando em Rio Claro

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PONTO CRÍTICO

Pensando em
Rio Claro

Charles Carvalho

A tese de Rio Claro ter um deputado federal sempre surge próximo às eleições proporcionais com muita força e sentido. De fato, a cidade que possui um deputado federal tem mais possibilidades de captar recursos e ativar o Município em nível nacional, todavia, para que isto ocorra, o deputado tem que ter qualidade, se destacar e conseguir fazer alguma diferença entre centenas de outros parlamentares, aumentando esta possibilidade se fizer parte da base aliada. Nenhum deputado que não seja da cidade dará a mesma atenção que um candidato local, é algo mais que óbvio e uma questão efetivamente de compromisso com a base.
O perfil para deputado federal exige um nível de conhecimento de conjuntura nacional, internacional, economia interna, enfim, esse embaixador da cidade não pode ser alguém despreparado que certamente será apenas mais um para fazer número e ser manipulado. Debater os temas nacionais e influenciar o debate é uma tarefa que poucos podem assumir, embora muitos se julguem preparados, o que é um ledo engano.
Até hoje o Município tem que se socorrer de "estrangeiros" deputados com nenhum laço com a cidade e que somente se propõem a auxiliar na véspera das eleições, para depois voltarem a seus redutos e trabalharem por ele, algo natural e justo, mas que não acrescenta absolutamente nada à nossa microrregião.
A verdade é que todo Município com representatividade na Câmara Federal leva vantagens significativas, porque o mandato necessariamente se torna suprapartidário, atingindo o objetivo que é privilegiar a base eleitoral. Cada vez mais o voto para deputado federal tem como ingrediente esse componente e menos o componente ideológico que é importante, mas a necessidade de ter alguém prevalece. O complicador é conseguir a convergência para determinado nome, daí que deve entrar em cena o discernimento do eleitor em procurar eleger o melhor perfil possível do candidato que não desapareça junto com o mandato.
Temos como todos sabem em Rio Claro várias forças políticas antagônicas que possuem seus projetos próprios criando a barreira para encontrar um nome ideal que possa arregimentar o sentimento de vitória. Como é difícil essa conciliação, restará aos possíveis candidatos angariar votos por todo o Estado, sobretudo porque nos maiores partidos como PMDB, PT e PSDB raramente um deputado federal se elege com menos de cem mil votos, ou seja, a tese da contribuição partidária ganha muita força.
Para partidos com mais densidade, a missão do candidato é de menos sacrifício porque sempre há a certeza da eleição de um número grande de cadeiras, daí o retorno do sacrifício é recompensado pela vitória coletiva. Há toda uma contabilidade por trás de uma candidatura que não permite muitos erros, mesmo na perspectiva de não atingir a vitória.
O rumo que cada partido constituído no Município tomará ainda é uma grande incógnita em relação a 2010, o que dependerá em muito ainda do cenário nacional, que tudo indica será polarizado entre Dilma e Serra e no Estado nas candidaturas representadas por PT e PSDB.
Nesse cenário, é importante elegermos deputados, mas principalmente deputado federal, pois afora o saudoso Ulysses Guimarães, e outros deputados de outras cidades que não deixam de ser parceiros, temos quase a obrigação de possuirmos uma representação desse calibre.

(O autor é advogado. E-mail: charlesrc2@bol.com.br)
 

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