Do mesmo lado

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PONTO CRÍTICO

Do mesmo lado

Charles Carvalho

Nas últimas semanas o fato político mais contundente foi a volta triunfal de Collor para presidir a Comissão de infraestrutura do Senado derrotando, no voto, a petista Ideli Salvatti. O fato interessante da eleição de Collor é que ele é aliado de Lula, seu partido ocupa assento no Ministério das relações institucionais com José Múcio, que é ferrenho defensor do governo petista, inclusive é o porta voz político do planalto. Para não ficarem tão constrangedoras as situações, escalaram o Senador Mercadante para ficar estarrecido, ou fingir este estado emocional, pois nem o mais incauto dos incautos pode acreditar neste jogo de cena.
A ira do Senador Petista ocorreu porque Múcio comemorou a derrota petista ou a vitória de Collor, no que ele tinha todo direito afinal, o PTB é Lula há muito tempo, logo a eleição de um petebista não poderia ser encarada de outra maneira. O que faltou a Mercadante foi assumir que seu partido, em nome da governabilidade, aceita qualquer acordo sem maiores dificuldades e isto acaba incluindo a proximidade com Collor. O jogo de cena da diferença rui quando tudo converge para manter em alta os recordes sucessivos de aprovação da popularidade de Lula.
Para colocar mais ingredientes à balbúrdia, os votos dos tucanos foram para a petista, também por algum acordo não revelado. Nessa direção olhando para a popularidade inabalável de Lula, logo seu governo acomodará o PSDB, restando de fora apenas esquálidos democratas. Realmente a tese de proximidade de PT e PSDB, faz parte do grande acordo de reciprocidade, ou seja, o PSDB retira o foco de denúncias sobre o governo Lula e o petista, por sua vez, num eventual mandato de Serra, não provocaria os costumeiros estragos.
Costurando de todas as maneiras, o PMDB segue sem revelar que rumo tomará, mas como concluíram os analistas, o partido tenta se refazer das últimas denúncias que caíram como uma bomba, muito embora a direção tenha feito ouvido muco, na estratégia de esvaziar o assunto a estragos irreparáveis.
Como os movimentos estão todos voltados para 2010, a estratégia adotada é não criar dificuldades antecipadas, pois parecem cada vez mais consolidados os nomes de Serra e Dilma, cabendo a Lula a tarefa de conter Ciro Gomes que não esconde a pretensão na disputa.
Em São Paulo a disputa para o governo também está a todo vapor, afinal é a partir do Estado que a campanha presidencial é irradiada. Não por outra razão Lula entrou em cena e está bancando o nome de Palocci. A questão é saber como o nome de Palocci está avaliado após as denúncias sobre o escândalo do mensalão e sua passagem como Ministro. Bem ou mal Palocci foi o timoneiro de Lula nos piores momentos da crise, e conseguiu manter a estabilidade econômica. Outro nome seria de Mercadante, mas neste momento com menos força.
Numa eventual disputa Palocci/Alckmin o resultado é imprevisível, sobretudo pelo apoio de Lula que tem o máximo interesse em acomodar bem seu ex-ministro guilhotinado para não piorar os efeitos do mensalão. Par o eleitor, o ideal seria o surgimento de novas lideranças para conduzir o Estado, rompendo com a velha polarização que tem proporcionado muita disputa e poucos resultados práticos. Basta o eleitor atinar que a alternância de Poder é extremamente salutar para a democracia.

(O autor é advogado)
 

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