Unasul e a corrida de galinhas

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ARTIGO

Unasul e a corrida
de galinhas

Bruno Peron Loureiro

A reunião de 28 de agosto em Bariloche, Argentina, entre os presidentes dos doze países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) realizou-se com uma leve dose de precipitação e temor com respeito à militarização que alguns países da região têm seguido. Já se esperava uma atenção especial sobre os pronunciamentos dos presidentes Rafael Correa (Equador), Álvaro Uribe (Colômbia) e Hugo Chávez (Venezuela), assim como a “moderação” das posições de Brasil e Chile.
As preocupações centrais desta reunião giraram em torno do convênio militar entre Colômbia e Estados Unidos, a paz e a segurança da América do Sul, o combate ao tráfico de armas e entorpecentes, entre outros temas que foram empurrados a segundo plano por urgência da ocasião. Pelo menos assim se puderam entender os cutucões de uns e os discursos ofensivos de outros com relação à tal da ameaça à soberania dos nossos países pelos interesses velados dos Estados Unidos.
Não penso que estas reuniões oficiais sejam inúteis, como alguns analistas as enxergam, mas elas quase sempre condensam, em poucas horas, críticas, opiniões e propostas divulgadas nas semanas anteriores e, por isso, seus acordos são previsíveis. O que nunca se sabe ao certo é a temperatura que os debates podem alcançar. No final, entende-se a importância de converter as animosidades em acordos ou planos de seguimento das reuniões, que geralmente demandam novas datas.
A ideia de Unasul surgiu em dezembro de 2004 numa reunião de presidentes sul-americanos em Cusco, Peru, mas somente em 2007 adotou este nome em reunião de seus líderes na Venezuela. A formalização jurídica da Unasul como organismo internacional assinou-se em maio de 2008 em Brasília. As últimas discussões do grupo apontam na direção da necessidade de "consensuar" um plano de defesa através do Conselho de Defesa da Unasul, o que justifica a desconfiança na postura colombiana.
Processos de conflito, desconfiança e luta política têm tomado conta do cenário dos três países fronteiriços: Equador, Colômbia e Venezuela. Questões geopolíticas emergentes convidam à participação dos vizinhos sul-americanos, enquanto a Unasul, embora não seja a primeira tentativa de diálogo coletivo na região, é uma instância pela qual esses países têm a oportunidade de defender seus interesses e irmanar-se. Ainda que apresentem enormes discordâncias, os chefes de Estado podem justificar suas posturas.
O governante venezuelano tem sempre bastante espaço dedicado nas páginas da imprensa latino-americana, enquanto a contraparte colombiana também porque, entre outros pretextos para notícias, contraiu a gripe suína. Mudando de assunto, li que houve uma nova edição da corrida de galinhas em São Bento do Una, Pernambuco, no final de julho. Ainda que não soubessem o que estavam fazendo naquela pista arenosa, as patas das galinhas vencedoras foram mergulhadas na Calçada da Fama.

(O autor é bacharel em Relações Internacionais)
 

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