Honrar a memória

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ARTIGO

Honrar a memória

Aline Magalhães Ceron

A celebração de Finados que acontece nesta segunda-feira é um momento de saudade e reflexão sobre nosso papel dentro da sociedade. Em todas as famílias há sempre a falta de um ente querido. Mesmo que muito tempo já tenha se passado desde essa perda, nunca esquecemos os que já partiram. Parece que um pedaço de nós também se vai quando perdemos uma pessoa querida para a morte.
É difícil entender e aceitar a morte. Principalmente quando essa perda envolve pessoas muito jovens, que ainda estavam começando a viver, gente que ainda tinha muito para fazer e contribuir neste mundo. Que bom seria se pudéssemos seguir o rumo da natureza, e que a morte chegasse somente para quem já tivesse criado seus filhos, desenvolvido os projetos que sonhou, enfim, tivesse vivido. Mas não funciona dessa forma, e às vezes até nos revoltamos com a morte diante do choque que ela produz. Nos últimos dias várias mortes violentas foram registradas em Rio Claro. Pessoas perderam suas vidas em acidentes de trânsito, assaltos e até em situações de desavença, por motivos íntimos que não cabem a nós julgar. Muitas mortes poderiam ser evitadas, e não apenas com mais polícia nas ruas. É preciso mudar hábitos e valores. Respeitar a vida nas ruas, evitando os acidentes, promovendo o desarmamento da população e combatendo a cultura tão enraizada entre os brasileiros de que os problemas são resolvidos a bala.
O Finados também é um momento para a aceitação da morte não como fim de tudo, mas como mais uma etapa em nossa caminhada. Cabe a Deus saber quando chega a hora da partida. Para os que ficam, resta a missão de cultuar a memória dos que se foram. Será que estamos cumprindo nosso papel? Temos respeitado a memória e o legado dos que se foram? Em meio à correria do dia a dia e às exigências do mundo moderno, como ficam os ensinamentos deixados por nossos avós, nossos pais? Precisamos ter consciência de que somos um elo nessa corrente, muitas gerações já passaram por esse mundo, outras virão, e o que fica é o exemplo de vida que deixamos, o amor que dedicamos, as boas ações que desenvolvemos.
Que nesse Finados todos possam ter paz de espírito para relembrar com serenidade e gratidão os bons momentos vividos com as pessoas que um dia passaram por nossas vidas. E que a data sirva também para que possamos pensar na vida que estamos levando hoje, enquanto ainda há tempo para tentar corrigir os erros, deixar as bobagens de lado, dizer e mostrar o quanto amamos a família, os amigos, enfim, sermos mais felizes.

(A autora é diretora administrativa do Jornal Cidade. E-mail: aline@jcrioclaro.com.br)
 

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