A sociedade precisa lutar contra as drogas

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ARTIGO

A sociedade precisa lutar contra as drogas

Aldo Demarchi

Com o título "Quem Cheira Mata", a principal reportagem da última edição da Revista Veja traçou um perfil do poder exercido pelo tráfico de drogas no Rio de Janeiro, onde serão realizadas as Olimpíadas de 2016. Na cidade conhecida mundialmente por suas belezas naturais, são vendidas 20 toneladas de cocaína por ano, comércio que produz 300 milhões de reais e financia armamentos capazes de derrubar um helicóptero da polícia, conforme aconteceu recentemente.
No mesmo dia em que a publicação chegava às bancas, uma garota de 18 anos era enforcada pelo namorado em Copacabana, mais famoso bairro carioca. O rapaz, um músico de 26 anos, é viciado em crack. Tão chocante quanto o crime foi o desabafo do pai do criminoso, que pediu perdão à família da vítima e implorou às autoridades a adoção de medidas para internação compulsória dos dependentes químicos.
Também no sábado, aqui bem próximo de nós, em Piracicaba, duas mulheres eram mortas e uma adolescente violentada. Preso na última quarta-feira, um suspeito de 24 anos assumiu a autoria do duplo homicídio e do estupro. Na delegacia, disse que estava bêbado ao cometer os delitos.
Todas essas lamentáveis ocorrências levam a uma só conclusão: precisamos mobilizar todos os setores da sociedade para combater o flagelo das drogas, sejam elas ilegais ou legais.
Na Assembléia Legislativa de São Paulo, tenho procurado colaborar nesse sentido, pois sempre tive consciência de que boa parte da violência que tomou conta do Brasil está associada ao consumo e venda de produtos entorpecentes.
Não foi por acaso que já no meu primeiro mandato, em 1996, apresentei um projeto para autorizar o Poder Executivo a estabelecer convênios com instituições sem fins lucrativos que assistem usuários de drogas e álcool. Transformada em lei, a proposta permite às entidades o recebimento de um valor mensal calculado por pessoa atendida.
Poucos dias atrás, consegui aprovar o Projeto de Lei 529/2009, que declara de utilidade pública estadual o Desafio Jovem de Rio Claro. Constituído em março de 1975, o Desafio foi criado com o intuito de atender, estimular e desenvolver atividades de promoção humana, social, cultural e educacional para adolescentes, jovens e adultos dependentes químicos, de ambos os sexos.
Há 34 anos, portanto, colabora na prevenção ao uso indevido de drogas, tratamento, recuperação e reinserção familiar e social do dependente, tratamento ambulatorial, grupo de apoio aos viciados e seus familiares, qualificação profissional, atividades de pesquisa e inserção ao mercado de trabalho, entre outras ações.
Em âmbito externo, o Desafio Jovem apresenta palestras em escolas públicas, faculdades, empresas, igrejas e associações, como forma de prevenção e orientação contra o uso de drogas e suas consequências. Também abriga em seu centro de recuperação pessoas que precisam, nos casos de dependência grave, ficar internadas.
Todo o esforço de entidades como essa, dos legisladores e dos governos será inútil, porém, se as famílias não se comprometerem a cerrar fileiras na luta contra as drogas. Aquele pai, por exemplo, que acha bonito dar cerveja ao filho pequeno durante uma reunião de amigos pode ser o responsável pelo plantio da semente que produzirá um futuro alcoólatra. Igualmente, os pais que toleram o uso de maconha pelos filhos podem contribuir para o uso de substâncias mais pesadas como a cocaína e o crack.
Se continuarmos de braços cruzados, sem fazer a nossa parte, de nada adiantarão providências que envolvam aumento de penas para delinquentes ou a colocação de um policial na porta de cada casa. Pense nisso.

(O colaborador é deputado estadual. E-mail: aldodemarchi@vivax.com.br)
 
Comentários (1)
FAMILIA
1 Sáb, 31 de Outubro de 2009 17:44
edson moncaio
É preciso investir na familia.Hoje o mundo moderno sucateou a familia,e,isso foi executado ao longo do tempo por interesses que nascem justamente pelo crime organisado,mas não aqueles que são dependentes do fornecimento e sim aqueles que produzem e segundo me consta são pessoas que detém um grande capital e precisam de laranjas para lavar seu dinheiro,principalmente sem pagar imposto.A familia resgatada será a única saida pois a produção de elementos dependentes de drogas nascem ali e se não tiverem um berço bem qualificado não terão condições de suportar a pressão que o vicio oferece.

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