Chico Buarque – Histórias de Canções

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LEITURA

Chico Buarque – Histórias de Canções

Eduardo Pedreschi

Bom dia, amigos leitores de Rio Claro!
Fazer com que os filhos tenham alguma prática esportiva, cultural ou artística, desde pequenos, é uma preocupação de muitos pais. Aqueles que podem custear tais atividades e que, sobretudo, enxergam que um ser humano completo não pode limitar-se ao ensino acadêmico regular, sempre se preocuparam em incluir cursos complementares nos horários ociosos das crianças.
Creio eu que nem mesmo limitações financeiras podem ser usadas como pretexto para privar um jovem destas práticas. Apesar de escassas, com vagas limitadas e com o ensino nem sempre de boa qualidade, os governos e algumas entidades privadas sempre ofereceram muitas delas sem ônus às famílias.
E no que verdadeiramente estas atividades contribuem para a vida das pessoas?
Tenho certeza de que, na cabeça da maioria dos pais que proporcionam este complemento aos filhos, não passa a ideia de vê-los saindo de alguma escola de esportes como um novo Pelé ou Gustavo Kuerten. Tampouco ambicionam que seus pequenos bailarinos e bailarinas se transformem em sucessores de Nureyev ou Ana Botafogo.
Ao levá-los para aulas de violão ou piano, não esperam, por certo, que venham a se consagrar como virtuoses concertistas em alguma importante orquestra.
Estas práticas, algumas delas até mais do que o ensino escolar, fornecem um precioso material contributivo à formação do caráter dos indivíduos.
A disciplina e a perseverança são virtudes reforçadas pelos esportes e pela dança. Se ministradas com consciência, essas atividades criam o respeito ao corpo e o distanciamento dos vícios e hábitos nocivos.
A música, as artes plásticas e o estudo de idiomas abrem um “mundo de cultura e conhecimento” que, normalmente, não é apresentado aos jovens nos bancos escolares. Mestres compositores e intérpretes, gênios pintores e escultores aguçam a sensibilidade do indivíduo, tão essencial na gestão do mundo de hoje.
Falar outros idiomas nos aproxima de outros povos e nos dá melhores condições de entender outras culturas.
Eu também, quando menino, aprendi judô e joguei basquete. E apesar de competitivamente ter sido um atleta medíocre, reputo ao esporte a minha capacidade de organização e a minha disciplina.
Mas nada me foi mais enriquecedor e contribuiu mais para desenvolver meus interesses culturais, inclusive direcionando-me para a carreira profissional que segui, do que minhas aulas de violão. Minha querida professora Daise não foi capaz de vencer a minha teimosia e assim, não me dedicando ao estudo do violão clássico, tornei-me um violonista tão medíocre quanto fui como atleta.
Mas o seu grande mérito, que talvez ela nem saiba que teve, foi me fazer gostar de música! E tomando como exemplo os grandes letristas, que ela me estimulou a conhecer, comecei a “arriscar” escrever algumas letras, alguns poemas e textos.
Se bem ou mal, não sei. Mas é algo fundamental em minha vida e que faço com imensa satisfação.
Um dos autores que mais me influenciaram, sobretudo durante a minha adolescência e juventude, é o tema central do livro que eu vou lhes indicar como leitura nesta semana.
Trata-se de “Chico Buarque – Histórias de Canções” (Edit. Leya Brasil – 428 pág. - R$ 44,90), escrito por Wagner Homem, amigo pessoal de Chico há muitos anos.
A história do livro começou quando Wagner Homem decidiu colocar no papel as mais saborosas histórias que colecionou ao longo de uma amizade iniciada em 1989.
Ele não tinha a pretensão de fazer um songbook ou uma biografia do multiartista Chico Buarque. Wagner queria reunir em um livro as histórias mais interessantes que estão por trás de algumas das maiores composições do artista.
Na medida em que registrava as histórias, ele sentia a necessidade de contextualizar cada uma delas, de mostrar em que momento da história do Brasil e da MPB Chico compôs cada um de seus maiores sucessos.
O livro é o mais importante mergulho na intimidade criativa de um dos mais amados artistas da nossa história.
Uma boa leitura e um excelente final de semana!

(O autor é proprietário da Livraria Eureka)
 

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